Nossa História

Habitantes

Os primeiros habitantes da região, onde veio a ser fundado o município de Poté foram os “Índios Botocudos” de cuja linguagem provém também o nome “Poté” que significa “Mumbuca” ou “Abelha Negra”. (Enciclopédia… 1958. pág: 412-3)

Outras versões

A origem do nome ainda é um mistério, mais existem algumas versões: Uma delas se baseia na figura lendária do Índio Poté, líder das tribos que habitavam aquelas terras; outra afirmava ser Poté uma variação de “Potum”, “Pitú”, ou seja, uma designação do Camarão cascudo de água doce, de casca ou pele escura, comum nos rios do Vale Mucuri.

Teófilo Benedito Otoni

Nos primeiros anos do século XIX, os empreendimentos do conhecido político mineiro, Teófilo Benedito Otoni, contribuíram para transformar a fisionomia daquela região. Ao idealizar o estabelecimento de uma via de comunicação entre o Norte Mineiro e o Litoral, para o escoamento de produtos, criou a Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. Após a inauguração dos serviços de transporte pelo Rio Mucuri, Otoni, já estabelecido em um acampamento a que denominou Philadélphia, que mais tarde transformado no atual município de Teófilo Otoni, daria continuidade as suas atividades naquelas terras. Abriu estradas que facilitariam o intercâmbio entre as localidades, dentre elas Poté, dinamizando suas economias.

Godofredo Ferreira

A citação a seguir, reproduzida por Godofredo Ferreira em publicação de sua autoria, apresenta um panorama daquela época: {…} Certifico, finalmente, que foi dado á declaração do território que compreende o leito das estradas que tem aberto a Companhia com seus descortiçamentos, e pertences a saber primeiro: a estrada de Philadelphia para Setúbal; terceira, dita do Poté para a Trindade. Foram me essas declarações que continham a data de trinta de agosto de mil oitocentos e cinqüenta e cinco. E se achavam assinadas por Augusto Benedito Ottoni, apresentadas a Dez de outubro de mil oitocentos e cinqüenta e cinco. O referido é verdade e ao próprio original me reporto. Cidade de Minas Novas, 2 (dois) de maio de 1859 (Mil oitocentos e cinqüenta e nove). O vigário, José Pacifico Peregrino e Silva {…} (grifo nosso) (Godofredo Ferreira… 1934. pág: 57)

Povoamento

O povoamento de Poté teve suas origens nas vias de ligação entre Teófilo Otoni e Minas Novas. Assim, em 1856 (mil oitocentos e cinqüenta e seis) já se achavam estabelecidas diversas famílias, segundo informações do relatório de Teófilo Benadito Otoni, reproduzidas em 1922 (mil novecentos e vinte e dois) por Frei Samuel Tetteroo em obra intitulada “O município de Theóphilo Ottoni; notas históricas e cherographicas”. No local do primitivo aldeamento indígena, fixou-se “Militão Vieira Maia”, que no ano de 1889 (mil oitocentos e oitenta e nove) ergueu um cruzeiro, abençoado pelo Vigário de Teófilo Otoni, Virgulino Baptista Nogueira, que na ocasião afirmou: “Esse lugar talvez mais tarde será uma grande povoação, uma cidade”. Á Maia se juntaram a nomes ilustres na história de Poté, como Pedro Vieira Guimarães e Domiciano Ferreira Lages, dentre outros. (Frei Samuel Tetteroo… 1922. pág: 95-6, Álbum… 1942. pág: 271) A população cresceu com a chegada de novos desbravadores, atraídos pela fertilidade das terras daquele lugar. A maioria das famílias que ali se estabeleceram inicialmente, eram oriundas das localidades de Arassuaí e Minas Novas. Cinco anos mais tarde, em 1894 (mil oitocentos e noventa e quatro), foi construída em Poté uma pequena capela, substituída depois pela atual edificação da Igreja Matriz de Poté. A princípio, Poté fez parte do distrito de Concórdia, também conhecido como Sete Posses que era subordinado ao município de Teófilo Otoni. As paróquias de Poté e Concórdia recebiam os sacramentos religiosos por ocasião das visitas quinzenais de Frei Gaspar de Modica. (Anuário… 1909. pág: 1057)

Nossas Riquezas

A riqueza da região em metais preciosos foi também registrada em Poté, através de suas jazidas minerais de água-marinha, topázio, berilo, dentre outros. O relato que se segue, reproduzido do seminário de Teófilo Otoni, “O Mucury”, é ilustrado daquela riqueza: “Pedras miúdas não só águas-marinhas como turmalinas, berilos, chryso-berilos, topázio e outras, continuam a dar as zonas do Marambaia e Americanas e outros pontos do município de Teóphilo Otoni, bem como Poté, Itambacuri, Colônia de Urucú, etc.” (Senna… 1913. pág: 849) Em 1909 (mil novecentos e nove), o povoado já possuía uma agência dos Correios, com uma linha para Philadelphia. No “Anuário histórico-cherographico de Minas Gerais” foram transcritas informações de Poté colhidas do Jornal Estrela Polar do Seminário da cidade de Diamantina que ilustrava em linhas gerais o nível de desenvolvimento da povoação do início do século XX, a seguir trechos do jornal. “Poté é uma recente povoação de aproximadamente 120 (cento e vinte) casas, algumas bem confortáveis e solidamente edificadas”. “Poté ainda não tem as honras de distrito, mas brevemente se achará com elas. Essa pelo menos é a esperança dos habitantes”. “Eclesiasticamente, Poté não é freguesia, sim Capela filial da Matriz do Senhor Bom Jesus de Sete Posses (Concórdia). Mas tem a felicidade de ser a residência do atual vigário, que é o “Franciscano Reverendo Frei Gaspar Modica”. “Vive-se em Poté da lavoura, que é bem desenvolvida. Merece elogios o fazendeiro Senhor Vicente Gonçalves pela sua pequena Fábrica de Charutos, que são tidos em muita conta pelos apreciadores, pena que o Senhor Vicente não anime a dar maiores proporções a fábrica, assim aumentando a produção e logo exportando o seu produto”.

Década de 10

O distrito foi criado em 30 (trinta) de agosto de 1911 (mil novecentos e onze), de acordo com a Lei Estadual n.º 556, sendo instalada no dia 1.º (primeiro) de junho de 1912 (mil novecentos e doze). Pertenciam ao novo distrito as povoações de São Miguel, Coração de Jesus, Bananal, São João do Mucuri do Norte e Todos os Santos. Em 26 (vinte e seis) de agosto de 1912 (mil novecentos e doze), por ato do Arcebispo de Diamantina, a capela de Nosso Senhor Bom Jesus de Poté, pertencente a paróquia de Nosso Senhor Bom Jesus de Sete Posses, foi elevada à condição de paróquia. A freguesia de Nosso Senhor Bom Jesus de Poté foi instalada em 13 (treze) de outubro de 1912 (mil novecentos e doze), sendo seu primeiro Vigário o Frei Gaspar de Modica. Era formada pela Matriz de Nosso Senhor Bom Jesus mais quatro capelas localizadas em povoados próximos, que seguiam a orientação espiritual da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos de Itambacuri. A paróquia registrou na época cerca de 379 batizados e 89 casamentos. Dom Joaquim Silvério de Souza decretou a criação da Paróquia Senhor Bom Jesus de Poté aos 26 (Vinte e Seis) de agosto de 1912;

Décadas 20 e 30

Nos anos 20, Poté progredia consideravelmente, apesar da crise do preço do café, um dos principais produtos de sua economia. Vieram famílias de outras localidades na certeza de encontrar melhores oportunidades de trabalho. Além do cultivo do café, o cultivo da mandioca, milho, feijão, trigo e cana-de-açúcar se sobressaiam, graças a excelente qualidade de suas terras, também propícias à pastagem. Poté era um dos distritos mais povoados de Teófilo Otoni, concorrendo com a melhor cota de recursos para o Tesouro da Municipalidade, daí a reivindicação da instalação dos serviços de iluminação pública e abastecimento de água potável, consideradas fundamentais para um arraial em pleno desenvolvimento, cuja a população encontra-se em progressivo aumento. O jornal “O Poté” de 23 (vinte e três) de novembro de 1924 (mil novecentos e vinte e quatro) viria noticiar a instalação da iluminação a querosene ainda para aquele ano, já estando prontos os lampiões que seriam instalados nos postes. Sua subordinação ao município de Teófilo Otoni se entendeu até o ano de 1938 (mil novecentos e trinta e oito), nessa época Poté foi emancipado segundo o Decreto – Lei Estadual n.º 148, datado de 17 de dezembro do ano corrente. Em 1939 (mil novecentos e trinta e nove) já emancipado, o recém criado município de Poté passou a ter delimitadas as áreas urbanas e suburbanas da cidade e vilas, de acordo com Decreto – Lei n.º 9, datado de 30 de dezembro do ano corrente.

Década de 40

Os dados seguintes são do Serviço Nacional de Recenseamento para o ano de 1940 (mil novecentos e quarenta), revelam a distribuição da população por seu território, onde a sede municipal representava 5,21% da população total do município, estimada em 24.250 habitantes. Vamos aos dados:

Divisão Distrital Urbana / Suburbana Rural Total

Poté 1.263 8.651 9.914

Ladainha 1.212 10.732 2.392

Valão 471 1.971 2.392

Poté, no decorrer da década de 40, ainda não era beneficiada pelos serviços de iluminação-pública (ou/e domiciliar) e o abastecimento de água. Apenas a sede possuía iluminação pública a base de gás. Suas principais vias de acesso eram a Avenida Dr. Getúlio Vargas e as Ruas Governador Valadares, Marechal Floreano, Benjamin Constant e 15 de Novembro. Das edificações existentes, sobressaiam a Prefeitura, a Igreja Matriz e a residência do Dr. Artur Rausch, primeiro chefe do executivo municipal. No campo educacional, existiam 13 escolas dedicadas ao ensino primário fundamental. Sua economia, centrada predominante na pecuária, absorvia parte expressiva de seus habitantes. Destacavam-se como principais produtos agrícola o café, milho, feijão, a cana-de-açúcar e o arroz. Na pecuária em franco desenvolvimento, prevalecia a criação de gado bovino. Em 7 de abril de 1943, segundo a lei n.º 150, a Prefeitura Municipal foi autorizada a promover a instalação de uma usina hidroelétrica, com a capacidade inicial de 115,5 HP, no rio Mucuri do Sul, aproveitando os recursos da cachoeira dos Colen. Em 1948, com a constituição do município de Ladainha, Poté passou a ter apenas dois distritos: Sede e Valão.

Década de 50

Em 1950 (mil novecentos e cinqüenta), em conseqüência da emancipação do distrito de Ladainha, houve um decréscimo considerável de sua população (10.953 habitantes). Os seus moradores, porém, continuavam concentrados nas áreas rurais (8.843 habitantes). No que tange a economia, prevaleceram as características registradas anteriormente, quer sejam, a dedicação às atividades agropecuárias. O setor industrial registrava a presença de 54 estabelecimentos, prevalecendo a industria de transformação e beneficiamento de produtos agrícolas, com 48 empresas, sobre a atividade extrativa mineral que registrava a existência de apenas 6. O índice geral de alfabetização do município era de 20,75%, quando o Estado assinalava uma média de 38,24%. Porém, os dados da área urbana apontavam uma taxa acima do índice geral de Minas, isto é, de 48,82%. Ainda nos anos 50, o executivo municipal registraria iniciativas no sentido de resolver questões infra-estruturais que permeiam o desenvolvimento de uma localidade. A lei n.º 138 de 1.º de fevereiro de 1952 (mil novecentos e cinqüenta e dois), autorizava uma abertura de crédito para execução dos serviços de abastecimentos de Água e de Energia Elétrica daquela cidade.

Década de 60

A Estrada de ferro Bahia e Minas, que serviu o município de Poté até a década de 60, época em que foi desativada, desempenhou um papel importante na região enquanto linha de penetração que partia do norte do Estado e se estendia até o sul da Bahia, permitindo um estreitamento das relações das populações bem como um intercâmbio maior de produtos. Cortava o município de leste a oeste, mantendo estações em Valão, Sucanga, Caporanga, Ladainha e Brejaúba.

Década de 70 a 80

A instalação definitiva da energia elétrica na cidade foi motivo de comemorações, sendo aberto inclusive, crédito especial, que cobriria as despesas das festividades de inauguração

Gentílico:poteense